Jonathan Ive é designer da Apple, aquela empresa que revoluciona o mundo toda vez que lança um produto novo. Ele parece não se gabar disso, se diverte com isso. Não com o fato de criar os produtos que revolucionam, mas com o fato de criar. E quem disser que ele cria, ele nega. Nós criamos, afirma.
Nós não são os designers, mas a equipe integrada por eles e por engenheiros, programadores e até pelo pessoal de marketing da empresa. Ninguém faz a sua parte e passa adiante com a consciência limpa: são reuniões e discussões infindáveis, críticas e apontamentos bem recebidos, porque se há um defeito quer dizer que algo novo pode ser feito. Polinização cruzada.
Cada parte sabe o que tem que fazer, mas só chega a esse conhecimento quando busca o que pode fazer no processo colaborativo. Desse modo, quando o produto está pronto… ele nunca está pronto. Arlindo Daibert dizia que a insatisfação do artista com um trabalho o leva a fazer outro. É algo como alcançar a perfeição, nem que por um instante, e começar de novo depois.
Se cada um fizer a sua parte serão várias partes prontas. Se depois de todo esse esforço persistir a insatisfação, a revolução começa a ganhar forma.
Gustavo Burla