O dia em que o Amor conheceu o Ciúme, achou que havia encontrado o par ideal. Ele se sentia muito amado, o Amor, com todas aquelas atenções exacerbadas do Ciúme, aqueles olhos que não descolavam dele, que pareciam pregados em sua nuca a cada vez que virava de costas e trocava cumprimentos ou amabilidades com alguma Paixão. Mas o Ciúme, por sua vez, doía-se com cada sorriso distribuído pelo Amor a outros alguéns; sentia o peito rachar a cada instante que desconfiava, que fantasiava apenas, a possibilidade de o Amor se partir em outros amores que não aquele. O relacionamento virou um impasse inevitável, intransponível até. De um lado, o Amor alegando que o Ciúme o sufocava, que o transformava em mera Dúvida, que o impedia de assumir sua personalidade naturalmente amorosa em plenitude. De outro, o Ciúme enlouquecia envenenado pela Posse e pelo Abandono, querendo todo o Amor só para si, exclusivo, sem metades. Quando o romance chegou ao fim, o Amor continuou amando. Já o Ciúme se casou com a Inveja, numa cerimônia da qual o Amor não participou.
Táscia Souza