Pelo calcanhar

Talvez, quando nasceu, sua mãe o tenha mergulhado nas águas do Ribeirão de Santana, lá pras roças de Tabuleiro, pra que o curso cristalino lhe desse forças, anticorpos desses que, hipocondríacos do asfalto, não temos pra nos livrar dos males da vida. Mas talvez, como num mito grego que certamente desconhecia, ela o tenha segurado pelo pé, por um ínfimo pedaço do pé que, fora d’água como peixe, não se valeu do milagre que existe só no fato de acreditar. Talvez, como um Aquiles dos montes de Minas, ele tenha crescido assim, herói de tudo e de todos, forte, valente, gigante… coração gigante, maior que ele. Maior que o mundo. Mas talvez, e só talvez, um outro mundo crescesse ali, naquele pedaço de pele intocado pela água do ribeirão, e o levasse embora pra ser herói noutro lugar.

Táscia Souza

2 comments to Pelo calcanhar

  1. Welington Souza disse:

    Eu chorei. O seu texto…! Eu chorei!

  2. Alvâni André disse:

    Lindo texto, muito tocante. Você certamente tem um talento extraordinário para emocionar, o que considero ser dom de poetas. Eu, que não tenho, fico sem saber o que dizer, mas sinto, profunda e sinceramente. Quem sabe serve um pouco de consolo?
    Bração procê…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s