Adiante

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Nasceu sonhando, fez planos tornados projetos. Heideggerianos. Os desejos estavam no horizonte e nítidos, o caminho era fosco e abraçar o mundo nem sempre é fácil. Nem sempre é impossível. Sentindo isso ele foi seguindo, ao sabor da valsa, pelas ondas da vida. E pensou.

 

Concluiu que ter tudo é complexo, não complicado, e estendeu os braços sabendo o que tocar, para onde apontar, como chegar. Um passo de cada vez, sem pressa, mas sem vagar, viu a estrada dos tijolos de ouro.

 

Acreditou num pilar, em uma pessoa cujo eco era de seus clamores e mirou. O coice da arma é grande, não adianta atirar sem força, e foi se preparar. Havia tempo; não muito, mas não pouco. Assim acreditou.

 

Pensou nas palavras e uma imagem o dessignificou: o homem de costas, o gênio, não mais como ele precisava. Esvaziou-se, chorou olhando para os lados, e nem por isso ficou curado da esperança.

 

 

Gustavo Burla

 

 

Publicado originalmente em http://hipocondria.blog.terra.com.br, 12 de maio de 2008.

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