De quando a saúde faz mal

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Uma arte samurai, guardando as proporções. Diante de um público, quando as cortinas estão prestes a serem abertas pela primeira vez, a frieza deve trazer adrenalina suficiente para dar ao primeiro movimento todo o vigor da coreografia. Na estréia colhe-se o fruto cultivado da leitura branca ao ensaio geral.


Disciplina, palavra-chave, deve ser pontual. Se chega atrasada, perde a energia do grupo, perde o grupo, e para que o ritmo seja recuperado… Se a primeira cena de um espetáculo, como a primeira frase de um texto, não segura o leitor, o esforço para conquistá-lo é muito maior que o destinado a manter sua atenção. Equipe sem entrega é inconseqüência.

Há salvação, desde que se percorra a vereda ciente das pedreiras. Como uma cena pode laçar elenco e público num tornado de energia e dar a liga que faltava para o sucesso da apresentação, as decisões devem ter ciência de que são tomadas para o bem do todo. Abrir mão de sua vontade não é anular-se, é dedicar-se.


Sem o nervosismo da estréia não há sucesso. Fleuma e frio na barriga de mãos dadas levam ao ideal. Autocontrole puro e simples não tem o vigor dionisíaco, o erro faz parte do acerto. Sem desespero, angústia, silêncio não há completude. E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero.

 

 

Gustavo Burla

 

 

Publicado originalmente em http://hipocondria.blog.terra.com.br, 2 de junho de 2008.

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