Felizmente, adeus

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Era sexta-feira, fatídica sexta-feira, último dia dele ali. Estava feliz, embora o clima fosse de despedida. Foram anos naquele lugar e ele esperava um dia voltar, tinha planos para voltar, mas a vida adorava pregar-lhe peças e talvez aprontasse mais uma.

 

Era vendedor de cachorro-quente e tocava numa banda de heavy metal. Baixista. Nos últimos anos gravou um disco, fez shows e manteve o carro com as vendas de cachorros-quentes desde quando era fácil fazer plural e hífen. Um dia falou que pensava em fazer vestibular, gostava de história, mas achou que não valeria a pena. Como não!?

 

Fez e passou. De manhã era aluno, de noite, vendedor de cachorro-quente. Aplicado e colega em tempo integral. Não foi daqueles que passou pelo curso: cursou-o. Estudava, procurava caminhos, discutia com professores e levava as discussões para os amigos em meio ao cachorro-quente.

 

Os ensaios na banda continuaram mesmo depois de passar no mestrado em História Econômica. Música, estudos, comida e o texto acabou em livro lançado às pressas na antevéspera de partir. Sim, partiu, foi fazer doutorado em outra cidade e deixou os amigos com saudades, do peito e do estômago.

 

 

Gustavo Burla

 

 

Publicado originalmente em http://hipocondria.blog.terra.com.br, 19 de janeiro de 2009.

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