Vida nova

Padrão

 

Os olhos no teto. Fixos no teto. Que teto é esse, meu Deus? Que mundo é esse? Do lado, a respiração. Sonora. Ritmada. Quem respira assim tão fundo? Quem sonha? O pescoço doendo pelo novo, pelo desconhecido. Os pés gelados procurando outra pele. Algum calor. Lá fora, outras luzes. Diferentes. Mais luzes. Cidade inteira na janela. Que cidade é essa, que não reconheço? Que se estende pelo espaço até que não haja mais luzes? A janela aberta traz o vento. Traz o sol. Traz as criaturas da noite atraídas pelo reflexo da cidade. Caixas e caixas no chão. Na mesa e no chão, onde se sentam pessoas. Caixas sentadas pelos caminhos. Pela cidade. Para onde vão os caminhos da cidade? Uma mão no escuro aponta. Toca o braço e pede calma em silêncio. Diz que ama em silêncio. E a cidade apaga em sonho.

 

 

Táscia Souza

 

 

Publicado originalmente em http://hipocondria.blog.terra.com.br, 2 de dezembro de 2008.

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