Um ano

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Há um ano ele fora ao médico e o diagnóstico: hipocondria.

Saiu de perto de tudo e de todos, não queria contaminar ninguém. Isolou-se em casa e o resto era só internet, pelo menos até encontrar vírus. Depois, só telefone, mas em noites com chuva nem pensar: telefone sem fio é pára-raios. Medicou-se devidamente, seguiu as orientações telefônicas do médico e voltou ao consultório, depois de muita insistência, de manhã. Conversou, entregou alguns resultados de exames e fez outros. Diagnóstico: curado.

De volta pra casa, comprou bolo, brigadeiro, cajuzinho, refrigerante, coxinha, cigarrete e quibe para comemorar. Arrumou tudo na mesa, coberta com a melhor toalha, trancou a porta e desligou o telefone. Era uma vitória dele, uma conquista pessoal. Acendeu a vela e cantou parabéns. Ao final do último verso pensou: isso só será possível se começar a tomar remédios amanhã para baixar o colesterol.

E comeu daquela vez como se fosse a última (nunca se sabe). Gustavo Burla

Publicado originalmente em http://hipocondria.blog.terra.com.br, 2 de março de 2009.

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