Michael Jackson

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Minha vez de ser dramático. Ou lírico, se preferirem.

São tantos os que nasceram lendo Joyce, vendo Godard e ouvindo Stravinski que sinto os olhares conhecidos dilacerando o título. Por favor, continuem, destruir é mais fácil e terão material.

Cresci na década de 1980 (embora não tenha nascido nela). O resto dispensa explicação.

Amanhã farei piadas, sou brasileiro, mas hoje vim pra casa, liguei o som, separei discos, uma crônica de Rubem Fonseca, um arcabouço de memórias. Um amigo que andava pra trás (Moonwalker), um vizinho que imitava como ninguém (e quem não conhece alguém assim?), um colega de trabalho com uma máxima de outro conhecido: se clicar nele abre uma janela, ele é um ícone.

Ouvi as músicas, tentei dançar, aprendi a cantar (ou acho), estudei inglês, dei aula de publicidade, discuti polêmicas. Pela primeira vez hoje posso dizer que perdi alguma coisa com ele. Ele.

Todos querem ser jovens, descolados, cheios de energia, eternos. Ele é. Talvez por isso quisesse ser mais, ser tudo. Amanhã os jornais, mais uma vez, estamparão palavras e imagens que não se aproximam do que muitos sentem, sejam fãs ou meros críticos. O vazio serve pros dois. Fato: a história da cultura deve a ele e quem negar não conhece a história ou ele. Mais provável o primeiro.

 

Gustavo Burla

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Uma resposta »

  1. Nem dramático, nem lírico. Só alguém que não despreza a perda de um ícone. Independente da opinião de quem finge desconhecer sua importância. Essa que é individual, porém, não pode ser negada.

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