Por una cabeza

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Ensinou-lhe a dançar tango e zarpou para a Europa, num desses navios portenhos que levaram milongas até Paris. Não trazia no corpo nem uma réstia de sangue argentino nem jamais se aventurara pelas noites de Montevidéu, mas certo era que tinha vocação para as paixões trágicas e sabia traduzi-las como ninguém ao ritmo choroso de um bandoneón. Do perfume dela só restou uma velha fita VHS de Al Pacino à qual ele assistia repetidas vezes, sempre que queria bailar tristezas. À noite, pelas ruas, vagava em busca de pernas a quem entrelaçar Gardel, mas só encontrava sorrisos, sem desespero de amor traído, sem saber o que é morrer. Quando perdiam o passo, apenas olhavam-no amorosas e sussurravam: “um dia aprenderemos”. Sim, um dia… E a ele só restava chorar a música e esperar pela única que a sabia dançar.

 

Táscia Souza

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