Dedo duro

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Quando pequena apontava para tudo o que queria, era fácil saber para onde olhava porque o dedo ia junto. Cresceu gordinha porque apontava para tudo o que via, e o nariz chamava atenção para todos os pratos. Lá ia o dedo, lá vinha um naco. Parecia deslumbrada com o mundo, sempre, apontando para tudo o que queria destacar.

Adulta, houve o dia em que, na sala de espera do psicólogo, um homem não parava de olhar para seu dedo duro. Incomodada, percebeu tensão também na secretária, que sussurrou: foi preso na ditadura e não superou o trauma, dedurado.

Naquele dia resolveu procurar um cirurgião, sua peculiaridade tornava-se perigosa. Consultou, examinou e ouviu: tendões, músculos, ossos, enfim, dobra sem volta ou corta. Preferiu dobrar.

Perdeu o emprego de moça do tempo no jornal local.

Gustavo Burla

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