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Enquanto se dividia entre os clientes e a sala de aula sonhava em ser escritor de auto-ajuda. Todas as noites deitava na cama, revia o dia como o morto revê a vida no último instante e tirava lições.

Ao longo da semana, lançava máximas aos clientes quando em negociação por mais um contrato e eram o tempero para fechar negócios com uma boa imagem. Indicações pipocavam de um cliente para outro, nem precisava anunciar. Todos gostavam, sorriam e por vezes repetiam seus ensinamentos em encontros fortuitos. Mais do que de fartos contratos, era isso que nutria seu prazer pela profissão.

Na sala de aula ou entre os colegas também surgiam histórias que serviam de orientação, momentos de reflexão, sementes incômodas ou cômicas que brotavam nos interlocutores. Os alunos ouviam-no em silêncio, aprendiam conteúdo da disciplina e além.

Celebrado por clientes, colegas e alunos, começou a pavimentar o caminho para seu livro de auto-ajuda: criou perfil no Facebook para agregar “amigos”, entrou para o Twitter mais para ser seguido do que para seguir e passou a soltar alguns pensamentos esporádicos. O passo maior foi o blog: criou, enfeitou, escreveu, divulgou e após um post por semana durante um mês tinha milhares de acessos, mas nenhum comentário.

Encucado, fez-se a pergunta que sempre o incomodara: um livro de auto-ajuda é para ajudar quem lê ou quem escreve? E pela primeira vez chegou perto de uma resposta interior.

Gustavo Burla

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