O guardador de histórias

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Ambições não lhe faltavam: queria ser um escritor parado, daqueles que não precisa de mais na consciência que debruçar-se sobre a folha branca e manchá-la com ideias. Passava os dias planejando o futuro, os dias da escrita e dos frutos plantados no campo semeado de palavras.

Passavam-se as primaveras e ele germinava histórias e mais histórias em sua mente fértil, envolvia tempos e pessoas nas mais intrincadas tramas, transitava por palácios e conhecia mulheres em todas as formas. E assim planejava a vida, com as histórias correndo o mundo e ele ali, parado, ouvindo falarem delas.

Tinha pela escrita um Amor, daqueles de poeta, tão profundo que, tal qual Neruda, lavava as mãos antes de escrever. Nem tanto quanto ele, observava a história na mente e não a via na forma ideal de ir para o papel. Inspirava-se lendo outras, não suas.

E assim seguiram-se os dias, lendo, a testa contra a luz acesa, a inspiração preenchendo-lhe sempre, e sem nada querer ser como a beleza e sem nada ter sido como o mundo.

Gustavo Burla, sem permissão de Pessoa

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