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De repente lá estava ela, a famosa, a majestosa, a sensacional. Melhor seria dizer elas por causa do grande volume de água que fazia surgir mais quedas. Já tinha visto foto das Cataratas do Iguaçu, já sabia como era, já previa que molhava. Mesmo assim fiquei pasmo, encantado com a beleza, chocado com tanta força.

Não defini quem estava mais frenético: os olhos, para processar todas as quedas d’água, ou o dedo, para tentar registrar cada cena de tão magnífico espetáculo. As cataratas do Iguaçu é o lugar mais lindo que já conheci. Fiquei imaginando várias histórias de pessoas que se jogaram por amor e se salvaram, outras que descobriram o eldorado embaixo daquelas pedras.

A névoa, fruto da força da arrebentação, surge até em pontos altos e distantes da água. É como se Deus o abençoasse. Quando pude ficar em cima do rio, nas passarelas, o coração se inquietou, ao contrário do rebuliço. Mesmo não percebendo, em pouco tempo fiquei encharcado.

Voltei eu mesmo, acho. Poderia dizer que o lugar me inspirou, me batizou, me hipnotizou, me transformou. Nada disso aconteceu. É tão natural e simples que só o considero o mais lindo que já visitei (não me cansarei de expor isso e o receitarei a todos que conviver). A única aquisição foi uma forte gripe, já que me molhei todo e nem quis comprar capas, nem trouxe roupa extra. Coisa de turista.

José Eduardo Brum

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