Memórias perdidas

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No dia seguinte, parecia que havia sido só um sonho. No entanto, as coxas doíam como se um bloco de concreto houvesse se materializado durante o sono. Tentando massageá-las, lembrou o que havia ocorrido: ela tinha se casado.

Onde será que estaria agora? Na sexta-feira, descobrira que os pombinhos iriam para o Chile. Além disso, soube de outros segredos: a revista que seria distribuída como forma de eternizar a trajetória; a música que ele tocaria para que ela entrasse. De antemão chorou, como uma prévia.

Aproveitou para expressar o quanto estava orgulhoso e feliz. Tinha visto o primeiro beijo, torcia para que as coisas se ajeitassem. Nunca imaginaria que sua pessoa teria uma love story como aquela.

No grande dia, estava tão nervoso como os envolvidos. Se casasse, seria assim tão intenso, emblemático e asfixiante? Duro como um picolé, segurava as lágrimas. Mas quando a viu saltar do carro, com um lindo vestido branco apertado, o cabelo preso de maneira simples com orquídeas, não deu para evitar que descessem.

Depois da formalidade, dançou. Era o que gostava de fazer em momentos sérios. Dançar como se o mundo fosse só aquela pista quadriculada. Deixou de lado o convencionalismo, as comidas, a high society, a vergonha. Importava se desprender.

Sim, ficara tão solto, que acabara ficando sozinho, como de costume. Então, ela se casou. E ele via o mundo inteiro acompanhado. Com aquela experiência, morria a certeza de que um dia ele poderia ser aquele que diz o sim.

José Eduardo Brum

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