Com legenda

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Nada mais comum nos dias de hoje do que um viciado em séries de televisão. E tão normal quanto isso seria ele namorar uma viciada em cinema. E assim se conheceram, numa feira de viciados em cultura audiovisual, para se apaixonarem à primeira referência cult.

Discutiam de tudo o que bombava nas telas, grandes ou pequenas, digitais ou não, e tiveram os dois primeiros desentendimentos no mesmo dia. Resolveram assistir juntos a um(a) filme/série. O que seria? E enquanto a pipoca não estava fria a discussão não terminou, vencendo a série por ser mais curta e a noite já estar no fim.

Ele via com legenda, ela sem. Pronto, estava armado o circo e naquela noite não viram nada. Dado o tempo e o diálogo, cederam um pouco. Quando viam a primeira vez era com legenda, quando reviam, sem.

Um dia, um dos diretores da uma das séries preferidas em comum fez um filme que os deixou ansiosos para ver, e foram logo baixar o documentário com as cenas do lançamento no exterior. E a briga:

Ele: Está sem legenda! É a primeira vez que estamos vendo, tem que ter legenda! A gente combinou!

Ela: Mas meu bem, o cara fala a nossa língua.

 

Gustavo Burla

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