Na beirada

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Beirando os 80, poderia se dar algum luxo. Tremenda cozinheira, reconhecida por família e sociedade, agora só supervisionava. Como uma grande chef, que poderia ter sido, só entrava em ação nos grandes eventos. Arroz, feijão, carne, simplicidade, dia-a-dia não a motivavam mais.

Convidada ou intimada a ficar com os netos na cidade grande, esperavam que ela fosse tomar conta deles. Nada disso. Já tinha criado os seus. Eram férias. Não varria, passeava pelas ruas, tomava sua água de coco e assistia TV, principalmente o circuito interno do prédio. Na falta das fofocas de interior, espiava o vai-e-vem dos vizinhos. Via muita coisa surpreendente.

Queriam que ela tivesse um serviço voluntário. Não bastassem os 50 anos de casamento, inventaram que tinha de ir costurar enxovais de criança. Ao invés disso, inventou um tratamento na água por causa da coluna. Se era para ocupar o tempo, seria com ela mesma.

Tinha saúde, embora tomasse quase vinte comprimidos. O médico queria que eles fossem espaçados, ao longo do dia. Apesar disso, tomava-os todos juntos à noite com iogurte infantil que tinha cálcio extra. Era uma forma de compensar o que não teve.

No entanto, numa dessas vezes, brincou com os comprimidos dentro da boca. Eles viraram uma massa que não descia na garganta. Começou a ficar sufocada. E a despedir-se do mundo. O neto ia socá-la para expelir o que ele achava ser uma comida entalada. Não deixou. Se salvaria sozinha.

Encheu a boca de água e amoleceu, aos poucos, a maçaroca. Desceu. A partir daquele dia, trituraria os remédios. Não abriria mão do iogurte. Ele dava mais saúde que a medicação.

José Eduardo Brum

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  1. Conheço mulheres assim. Continuam vibrando na mesma frequencia. Deve ser medo de perceberem que são dispensáveis. E aí… surpresa!, são pegas no detalhe.

    Ai, você fala tanto com tão pouco. Tem que ser inteligente pra ler você.

    Imagina uma família com mulheres assim.

    Ah, eu ro do “maçaroca”.

  2. Conheço mulheres assim. Continuam vibrando na mesma frequencia. Deve ser medo de perceberem que são dispensáveis. E aí… surpresa!, são pegas no detalhe.

    Ai, você fala tanto com tão pouco. Tem que ser inteligente pra ler você.

    Imagina uma família com mulheres assim.

    Ah, eu ri do “maçaroca”.

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