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A TV tinha anunciado. A roupa estava pronta na cabeça. Sairia do trabalho, se arrumaria em casa, ia passar num encontro de trabalho, para depois encontrar com amigos e conhecidos na grande festa de lançamento do livro. Não tinha participado da confecção do mesmo, embora tenham lhe agradecido. Riu de maneira singela e sincera, mas no fundo sabia que a atuação fora zero.

Antes de sair, o chefe chamou. Precisava acertar com ele algum detalhe. Chegou de maneira esportiva. Comentou a mão recém-quebrada do patrão que foi direto: estava sendo dispensado. Não havia sido despedido ou mandado embora. Foi jogado para fora dos afazeres da empresa. Sem trabalho. Sem horário. Sem norte? Como seria?

Entendeu, agradeceu e disse que esperaria ser chamado de novo. Esta era a diferença: o vínculo supostamente permaneceria. Mas não havia promessa. De que valeria? Bastaria? Saiu rapidamente, lágrimas ameaçaram saltar.

Passou mensagem para a esposa. Ela disse para confiar em Deus. Pegou um ônibus, segurando na bolsa o acerto final. Nem tinha vontade de lidar com aquelas notas.

Em casa, estava só. Sem banho, sem reunião, sem festa, sem amanhã. Só a TV.

José Eduardo Brum

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