Pelo calcanhar

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Talvez, quando nasceu, sua mãe o tenha mergulhado nas águas do Ribeirão de Santana, lá pras roças de Tabuleiro, pra que o curso cristalino lhe desse forças, anticorpos desses que, hipocondríacos do asfalto, não temos pra nos livrar dos males da vida. Mas talvez, como num mito grego que certamente desconhecia, ela o tenha segurado pelo pé, por um ínfimo pedaço do pé que, fora d’água como peixe, não se valeu do milagre que existe só no fato de acreditar. Talvez, como um Aquiles dos montes de Minas, ele tenha crescido assim, herói de tudo e de todos, forte, valente, gigante… coração gigante, maior que ele. Maior que o mundo. Mas talvez, e só talvez, um outro mundo crescesse ali, naquele pedaço de pele intocado pela água do ribeirão, e o levasse embora pra ser herói noutro lugar.

Táscia Souza

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  1. Lindo texto, muito tocante. Você certamente tem um talento extraordinário para emocionar, o que considero ser dom de poetas. Eu, que não tenho, fico sem saber o que dizer, mas sinto, profunda e sinceramente. Quem sabe serve um pouco de consolo?
    Bração procê…

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