Abandono da pontualidade

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Tão pontual quanto ele só Kant. Amigos, vizinhos, colegas acertavam o relógio pela hora que ele chegava ou saía. O relógio de ponto ele acertava e fazia suas atividades com a precisão de Cronos. Seu quadro de horários, como nos trens europeus, tinha precisão de minutos.

Sempre fora destacado pela pontualidade, no que houvesse de bom ou de ruim. Ninguém duvidava de que, em uma reunião, seria o primeiro a chegar, a sentar à mesa e guardar lugar para os amigos. Também era rotina esperar que namoradas acabassem de se arrumar, o que fazia sem impaciência, cada um no seu tempo.

Um dia perdeu a hora. Acordou atrasado, mais de meia hora, e voou para tentar alcançar o ponteiro que, tal qual a lebre, adiantava-se no giro, mas incansável como a tartaruga. Tudo pronto, aos trancos e barrancos chegou para dar aula e… nada, a turma tinha ido embora, sem mesmo consultar alguém sobre a razão do atraso. Era apenas mais um, tornara-se parte da norma e não havia mais motivo para ter importância.

Gustavo Burla

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