‘Dizamor’

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É uma dor nova a de desaprender a escrever cartas de amor, assim como o é desamar os amores inventados na cartas. Ruínas de castelos de cartas, ruínas de amor. Mas como amar sem cartas, palavras, sem versos? Amar só em silêncio, dizendo tudo em silêncio, no mais eloquente mutismo, nas noites paradas em que só os grilos cantam. Amar sem mentiras, sem enganos. Sem hipérboles e sem metáforas.

É uma dor nova, essa de desamar as palavras. Eu que sempre fui a amante das letras, a devoradora de versos, a decoradora de frases. Eu, a leitora de amores sem amores para ler. E é uma dor funda, que dói no sangue, dói nas veias por onde as palavras correm, na garganta onde nascem e morrem. Uma dor que dói no amor, sem cartas pelas quais fluir.

Táscia Souza

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