O Espírito do Natal

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O Espírito do Natal, naquele ano, chegou sem barbas brancas. A roupa também não era vermelha e ele não trazia um gorro engraçado na cabeça, enfeitado por pelúcia clara. Havia um cinto preto, é claro, mas o adereço parecia rodar em sua cintura magra, correndo o risco de deslizar demais até desabar pelos seus pés. Era, enfim, um Espírito de Natal meio triste, quase raquítico, vestido de preto, como que de luto. Quando entrou pela chaminé, sujo de fuligem, as crianças olharam assustadas, tiveram medo, quase choraram; nunca tinham visto um Espírito de Natal tão estranho quanto aquele. E ainda por cima não trazia o saco escarlate como o do outro espírito, aquele acostumado a ser visto nos shoppings centers e nas telas do cinema. O saco que esse Espírito de Natal torto carregava era verde! Verde, Deus do Céu! Quem sabe o que verde significa numa noite de Natal?

Foi só quando viram o que havia por dentro que seus corações se encheram de esperança.

Táscia Souza

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