A suicida

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Ela tinha tendências suicidas, se não por opção, por maioria de votos. Várias pessoas sussurraram pra que ela não ouvisse, ou fingisse, que ela tinha tudo pra se matar. Foi assm pela vida quase toda, poupada a infância em que a criança não se sabe feliz ou alienada.

Vivia isolada, quieta num canto, sem amigos, livros ou música. Ficar perto dela era um silêncio escuro, mas escuro cinza. Nem era feia, mas nem bonita ou simpática ou antipática. Se fosse Macabéia seria pelo menos alguma coisa, mas nem isso. Ou, por outra, apenas uma suicida em potência.

Um professor na faculdade disse que ela ia se matar, que não tinha outro jeito, e até imaginou como. Ela só decepcionava, mantinha-se viva, ou no coma em que vagava pelos corredores e abundava-se na sala.

Como não morria, não tomava uma atitude, mantinha-se passiva, como por toda a vida; colegas fizeram uma vaquinha e seu suicídio saiu no jornal.

Gustavo Burla

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