… mas é só tristeza

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Olhou pela enésima vez seu rosto no espelho. As pálpebras inchadas semicerravam seus olhos, vermelhos e borrados de maquiagem barata. O nariz escorria, solidário às glândulas lacrimais já secas, para que o corpo não deixasse de chorar por algum lugar. Toda ela transpirava um visco de decadência tão deprimente (como naquela velha música “Parece cocaína…”) que mesmo a imagem especular, constrangida, parecia querer fugir de seu duplo ali em frente. De repente era a face de alguém tão sofrido que só isso – ver-se assim, mesmo que tentasse se colocar à distância – servia para fazê-la gritar.

A mulher resolveu pedir ajuda. Procurou alcoólicos, narcóticos, comedores compulsivos, fumantes, codependentes, jogadores e todos os anônimos do mundo com seus doze passos sobre tijolos amarelos rumo à felicidade. Mas como se livrar do vício em alguém?

Táscia Souza

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