Você e Você

Padrão

Em ponto, nos posicionam. Uma banda toca músicas esportivas. De repente, soa um apito. As pessoas saem. Você não esperava ser tão rápido. Por mais que tenha aquecido e saiba o que deve fazer, você hesita. É isso mesmo? Devo correr?

No início, intimida. São tantas pessoas. Você não tem espaço. Sente-se inferior. Tenta manter ritmo com sua parceira, mas ela tem um joelho detonado. Você dispara. Vai ganhando espaço.

É ilusório. Você se esforça, corre bastante. Acha que já foi metade do percurso. Parcos dois quilômetros foram o máximo que atingiu.

Como você está descansado, começa a traçar metas. Mira em alguém que não vestiu a camisa amarelo-ovo-chamativa e tenta ultrapassá-lo. Você consegue. A sensação é boa.

Tenta imitar os corredores da TV. Pega uma água. Meio sem jeito, com receio, bebe um pouco, joga uma ínfima parte na cabeça. É mais glamouroso quando o outro faz. Isso foi um erro. A barriga fica mais pesada, o fôlego fica comprometido.

Na reta final, nada mais importa. Nesse momento, tudo se revela. O que interessa é você. É continuar. É terminar. É manter o ritmo. Não interessa se os que foram ultrapassados anteriormente tenham te ultrapassado. Se um competidor vomita e você gostaria de parar. O que vale é a superação própria. Os olhos se fecham, como se por mágica seria levado até o fim.

A chegada é simples, não tem faixa, nem tempo para ver como foi o desempenho. Dane-se. Você terminou, você chegou. Você chorou. Que venham as próximas, pois a sensação é impagável.

José Eduardo Brum

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