Nada mais a fazer

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A ansiedade no último grau. Os esquemas totalmente afinados. Os problemas antecipados e resolvidos. Passagens e itinerários mais que memorizados. Depois de longos meses de trabalho, teria as primeiras férias. Só tinha medo de que pudesse não suportar tudo o que queria sentir, ver, fazer e experimentar.

Como toda história, há sempre um ‘porém’, belamente intitulado de ponto-de-virada. Na véspera da viagem, uma dorzinha na parte de trás foi crescendo, tornando-se insuportável. Não dava pra dormir, nem encostar. Travou nos analgésicos. Haveria de passar.

O jeito, então, foi passar na casa do amigo médico. O diagnóstico era bem deselegante: crise renal. Exames deveriam ser feitos. Só em pensar que teria de remarcar passagens fez com que a dor aumentasse.

Assim como a frustração. Tinha pedras nos rins. Deveria ficar internado, hospitalizado. Era sério. Passou o mês de férias vivenciando os planos na cabeça. Era uma forma de catarse. Por que a vida sempre lhe rouba algo?

Depois que voltou à rotina do trabalho, decidiu que apenas se preocuparia em manter um plano: beber mais água.

José Eduardo Brum

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