Querências

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Quando pequeno queria ser tudo. Primeiro garçom, já que não saía do circuito casa-casa da avó-bar-ou-restaurante nos quais os pais iam eventualmente ao final de uma tarde de sábado. Decidiu-se, após muitos filmes, por ser astronauta. Se todos podiam querer, por que não ele?

Na juventude era sempre quem fazia de tudo, tomava a frente em todos os trabalhos, queria ser tudo e procurava aprender de tudo. Não havia semana em que, na faculdade, não dizia que queria ler tal ou escrever qual.

Mais velho, enquanto as coisas não aconteciam, estudava para prestar concurso, nos quais nunca passava, pois sempre aceitava propostas para coisas diferentes. E quando perguntavam qual concurso prestaria também não sabia responder, afinal, queria tudo.

Quando ficou velho resolveu focar e querer uma coisa só: ser enterrado de cinza. Morreu de acidente e não acharam o corpo.

Gustavo Burla

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