Fica!?

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Nós nos conhecíamos tão bem. Pegou no meu braço, quando íamos entrar. Aquele leve contato, tão expressivo, significava que ela não queria estar ali. Porém, existem épocas em que não escolhemos o estágio. Ele nos escolhe. Ou melhor, a professora nos escolhe. No caso, três estudantes, diferentes entre si, iriam se envolver num projeto de assistência social com jovens encarcerados.

Trabalhávamos sozinhos. Não dava para comentar na hora. Eles se pareciam conosco. Tinham sonhos parecidos. Estavam sozinhos. Sentimentos realmente são universais.

Como ordem natural, formamos e nos separamos. Anos mais tarde, recebo a seguinte mensagem. “Sabe o que estou fazendo agora? Estudando! Lembrei-me dos meninos que perderam a liberdade, talvez por tão pouco. E depois? E nós aqui fora. Não deixe sua cabeça e seus cipós serem sua prisão. É difícil, mas para nós é muito mais possível. Aproveitemos a liberdade, a família e as oportunidades que temos, mesmo que sejam as que não queremos. E vamos fazer o melhor com o que temos, e não com o que um dia possamos ter. Conformar? Não! Resignar! O tempo é aqui e agora.”

Quando pensamos estar no fim, redescobre-se um novo recomeço.

José Eduardo Brum

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