Barba serrada

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Para Fred Simão

Nem bem tinha completado os oito anos e tinha bigode. Daquele ralo, de galã de filme mexicano, mas tinha. Aos dez usava lâmina e aos doze tinha cavanhaque, costeleta e criatividade. Quase todo mês mudava a máscara e os colegas se divertiam. As colegas adoravam.

Foi namorador por uns meses, mas a fama se espalhou: barba cerrada, arranhava. Umas não acreditavam e arriscavam, mas durava pouco. Sorte das que não o namoraram aos dezesseis, quando as deixava como um joelho esfolado.

Barbeador era um por vez, descartável. E quando passava a mão no rosto, um fio solto era farpa no dedo. Se deixasse crescer machucava os outros e a si mesmo, tinha que manter aparada.

Ainda jovem passou para a máquina e os fios tilintavam no chão como pregos e entupiam a pia quando esquecia de cobri-la com um pano. E depois que o marceneiro o abandonou, foi dia sim, dia não ao serralheiro até não precisar mais se barbear.

Gustavo Burla

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