Meias de dormir

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Saiu correndo do banho e não encontrou meias na gaveta. Todas nos cesto de roupas sujas. No vai-e-vem desenfreado dos últimos dias, a casa ficou para segundo plano, e nela estão, entre outras coisas, as roupas. No fundo da gaveta estava apenas aquele par de meias para as noites frias, e era o caso ultimamente, sem o qual não dormia. Era colocar as meias, apagar a luz e pronto, só acordava com o despertador. Sem outra possibilidade, foi esse mesmo.

Por sorte o ônibus passava e entrou, sentou-se no fundo e abriu a agenda, pra acabar de conferir os horários. Havia tempo, chegaria cedo até, se não tivesse dormido. O motorista a acordou: dona, se quiser voltar tem que pagar outra passagem. Pagou e chegou atrasada.

Pegou o elevador, décimo terceiro andar, por favor, e o ascensorista a chamou, o rosto encostado no espelho, quase babando: treze, senhora. Como, pelo atraso, ficara para o final da fila, sentou pra estudar e foi acordada pela recepcionista: quer perder a vez de novo, minha filha? Entrou, fez o que tinha pra fazer e já era noite quando saiu, com fome, em busca do McDonald`s, onde cochilou na fila à espera do Big Mac da promoção “McMinuto”.

Voltou pra casa um bagaço, cansada de ver o dia dar errado, jogou as meias no cesto, vestiu pijama e passou a noite em claro.

Gustavo Burla

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