Escrito nas estrelas

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Sentado na pedra sob o céu estrelado, seria tal qual pensador estivesse com a mão no queixo e a cabeça não fervilhasse. Foram semanas de tombos, porradas, desilusões da vida e naquela noite correu pra bem longe de tudo e foi desabafar com as estrelas.

Quando pequeno, os amigos diziam pra não apontar pras elas, que não gostavam, davam verruga na ponta do dedo apontado. Riu daquilo como rira na infância, e mesmo nunca acreditando, também não arriscou, queria só desabafar.

E chorou tanto, contou tantas coisas pro céu que suas certezas foram-se todas, restando apenas a dúvida, que também lançou: pra onde minha vida tá indo? Naquele momento, no exato instante em que colocou o ponto na interrogação, teve resposta. E seus olhos brilharam quando viu a estrela cadente.

Exalando raiva pelos poros, ergueu o dedo médio para gritar: grandissíssimas filhas da puta! E se nada mudou na vida depois daquilo, via um nariz de bruxa toda vez que ia fazer xixi.

Gustavo Burla

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