Orgulho de ser

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Cresceu com vontade de ser artista e a família, com o argumento de que arte não dava pra ganhar a vida, o convenceu a fazer concurso, ser alguém de respeito, como o pai, militar. Contrariado por dentro, mas jamais por fora, para não magoar em casa, aceitou.

Pensou no exército, gostava dos desfiles de 7 de setembro, de todo mundo marchando junto. Só que a graça era o espetáculo, não a instituição, e acabou indo pra polícia, mesmo que militar também. Lá dentro, acabou na banda, não queria ficar assustando as pessoas nas ruas com sirenes e porretes. Bastava-lhe o uniforme, que chamava de figurino, e o trompete.

Um dia, quando um monte de jovens ia pra rua, foi convocado a largar o trompete e fazer pose ao lado dos seus pra colocar ordem na situação. Só que a multidão passou gritando as palavras de ordem, então imaginou que não tinha o que fazer ali. Mas ficou, obediente.

Quando a multidão parou o trânsito da avenida principal, alguns dos seus se entreolhavam, tensos, mas se contiveram. Ele não, estava insuportável ficar ali de pé sem fazer nada, precisava agir. Sentou-se no chão com os outros, também seus, e cantou o Hino Nacional.

Gustavo Burla

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