Amoral

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Expectativas são sentimentos perigosos. Nunca as alcançamos. Dificilmente realidade bate o sonho. Certamente o desapontamento surge como sucessora mor das esperanças.

Primeiro emprego, ânimo aguçado e dedicação exclusiva transbordavam de Paulinha. Vestiu não só a camisa, mas também os shorts, as meias, as chuteiras e o peito inflado. “Minha empresa tinha isso…”, “Na minha empresa, aquilo…” Não era dona de nada, muito menos de sua essência.

Como juntar as decepções, empacotá-las e descartá-las? Tudo remete, os sentimentos rememoram. Não é o corpo que padece. Para uns, é o coração. Outros apontam a mente. Profundamente citam a alma. Somos seres sobrecarregados, puro e simplesmente. Por nós mesmos, e pior, pelos outros.

Sem perceber, Paulinha foi ganhando funções extras, fazendo tarefas de outra área. A família ficou esquecida; o namorado, de lado. O retorno não veio, nunca viria. Valia pouco, embora gerasse um bom lucro. O vislumbre de meses foi detonado com poucos dias.

Válvulas de escape tornam-se soluções. O mundo tenderia a ser melhor se cada um abstraísse mais. Quiçá pudesse se isolar, consigo próprio, por alguns minutos. Menos estresse, doença, desgaste, tristeza, solidão circunvoariam. Antes de amar ao próximo, ame a si mesmo.

Paulinha questionou, enfureceu-se, disse todas as verdades, sentiu-se desmotivada. Se não dá conta, pede para sair. Não se acredita, nem sequer se espera por uma recompensa quando se quer apenas a justiça. Passou a contar consigo mesma.

José Eduardo Brum

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