A mãe e o túmulo

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Todos os dias ela se debruçava sobre a lápide e colocava uma flor. Flores diversas. Num dia uma rosa, noutro um lírio, no terceiro um girassol. Só não punha cravo de defunto por o filho estava vivo, ora essa!; vivia em seu coração. O epitáfio – desses que, como sempre, diz mais sobre aquele que escreve do que sobre o objeto da homenagem – proclamava essa verdade: “Filho amado, para sempre vivo em nossos corações”.

O túmulo florido, porém, não tinha corpo. Nem ossadas, nem cinzas, nem nada. Só a ausência do filho, que um dia saiu de casa e nunca mais voltou.

Táscia Souza

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