Doping

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O doutor cobrava por lágrima, um real cada, o que poderia parecer bem em conta não fosse um consultório psiquiátrico, onde elas começam a jorrar logo na sala de espera. Mas era assim. O paciente entrava, sentava, chorava e pagava cem, duzentos, oitocentos e trinta sete ou mil – a depender do quanto tivesse chorado – para sair de lá com uma receita azul de algum ansiolítico, antidepressivo, antibiótico, anti-histamínico, antialérgico, antiperspirante, com a qual gastaria mais um tanto para comprar uma vida indolor, asséptica, inodora, insípida e protegida 24 horas contra a transpiração.

Mas que graça tinha?

Táscia Souza

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