No balanço

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Frio, uma recente diarreia e uma terra desconhecida o fizeram perder o ânimo ao descer no acampamento. Afinal, estava prestes a fazer 27 anos, era velho demais pra aventuras juvenis. Além disso, criado na roça, estava acostumado com o verde que inspira os urbanos, o ar puro que exaspera os intoxicados e o silêncio que desampara os viciados em tecnologia. A princípio, as brincadeiras de corrida, de equilíbrio e de grupo desagradavam. Qual era o objetivo daquilo? Na verdade, era central, pois fazia com que todos se vissem como um só. Assim, todos se soltaram.

Literalmente, a começar pelo pior: a tirolesa. Gritou nos quatro percussos. Sentia como se fosse a morte. Quem curte saltar no desconhecido, tendo fé de que alguém vai te amparar no fim? Sem esquecer a descida final da plataforma, em cordas, de olhos fechados pra ocultar o choro. Depois, como um típico clichê de filme norte-americano, tudo se acalmou. Descobriu a paixão pelo remo, os braços e ombros deixaram de ser renegados. Eles têm força suficiente pra segurar mais que canetas e livros.

Apesar das atividades tipicamente físicas, pôde colocar a mente em paz. Num painel de experiências, repassou sua trajetória, chegou a fazer uma chinesa chorar. Percebeu que demora, mas é possível chegar. Não importa a idade que se tem, as inabilidades ou as dificuldades. Pra viver, tem que arriscar. Ou se deixar queimar, como os marshmallows, para ficarem mais apetitosos. Tudo se resume a ousar temperar com o que se tem.

José Eduardo Brum

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