Gostosa da festa

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Quando a banda entrou no meio do baile um monte de homens foi ao delírio. Menos pela banda que pela morena que dançava as coreografias e sequer chegou perto do microfone. Era boa. De forma bem objetiva: era boa.

Saía e entrava nas roupas concernentes às músicas, das cafonas às atuais (futuramente cafonas), quase sempre com as pernas saltando aos olhos. Quando as coxas se escondiam, o decote mostrava outras curvas que mantinham atentos os machões da festa.

Li no início de um conto policial que às vezes a gente olha para umas mulheres que são tão boas que merecem uma segunda olhada. Os dois meninos de pé diante do palco, no cantinho, discordavam: algumas são tão boas que não devemos deixar de olhar.

Da pista, um homem ria dos baixinhos e sorria para a morena, que sorria de volta. Os meninos perceberam e rangeram dentes para o garanhão, que apenas os esnobava. Foi-se noite e madrugada, até que a banda parou de tocar. Chegou-se o gostosão para a semelhante com todo o ar testorenônico que lhe era peculiar, disse qualquer coisa sem poesia e ouviu:

– Tenho que levar meus meninos.

Enlaçou os pequenos por sobre os ombros, um deles com sua bolsa e ambos com o olhar esnobe para o homem em resposta.

Gustavo Burla

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