Escada sem fim

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Descia e subia as escadas de seu prédio. Quinze andares. Gostava de andar e considerava o elevador parente do carro, apenas questão de eixo. Exceto quando na pressa (que procurava evitar, programando-se) ou com compras e outros pesos (inevitáveis), subia e descia as escadas.

Repetitivas, as escadas mostravam os andares e nada mais, sem encantos particulares ao longo do caminho, já que haviam fechado as janelas (questão de segurança, alegaram). Passou a entediar-se ao subir e descer as escadas, até descobrir passatempos: para subir, lia; para descer, jogava.

Nas subidas, pelo ritmo da leitura, geralmente sabia quando olhar para a plaqueta e encontrar-se perto do andar. Nas descidas, alguns jogos traziam mais emoção, e ao encontrar a porta no final da escada surpreendia-se.

Um dia, jogou e jogou enquanto descia, e não parava mais de jogar, entusiasmado, até acabarem suas vidas (no jogo). Olhou para os lados e não viu portas ou placas, mesmo para cima ou para baixo. Subiu alguns lances e nada mudou, desceu outros e nada também. Começou novamente a jogar e continuou descendo, haveria de parar em algum lugar.

Gustavo Burla

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