Nobel de literatura

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O sonho dela era ser poeta, mas nunca havia escrito um verso sequer. Nem seu nome sabia escrever. Poetava era de outras formas, com um assobio baixinho enquanto varria a casa, um sorriso suave enquanto espanava o pó, o toque ao mesmo tempo firme e terno de amassar a carne moída que viraria bolo, que viraria almoço, que viraria os olhos das crianças famintas quando chegassem esbaforidas da escola. Depois fazia outros poemas, deixando a água lavar as panelas e as mãos, deixando o pano de prato envolver as louças e as almas, deixando o desinfetante limpar a gordura do piso e dos corações.

Táscia Souza

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