Tá na hora

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– Acorda, tá na hora! – ela gritou e ele pulou da cama, trocou de roupa e voou pra cozinha, onde teve que misturar café solúvel em água fria pra não perder a hora. Jogou a escova de dentes numa mochila junto com a carteira, bateu a porta e quase quebrou a porta ao trancar.

– Entra rápido, tá na hora! – e de dentro do carro, enquanto o corpo era jogado pro lado e uma mão tentava prender o cinto, ouvia os pneus cantando e as buzinas dos vizinhos. Tivesse olhado pra frente, veria o sinal vermelho e um ou outro dedo médio apontado, mas não eram pra ele. Quando conseguiu olhar em volta nem sabia onde estava, mas a velocidade dizia que ia na direção certa.

– Tá na hora, corra! – e ele correu com tudo nas costas, sem tempo de fechar a mochila ouviu a escova de dentes rolar pelo chão do corredor, o eco dela batendo era baixo perto do nheque-nheque dos tênis manchando de borracha o piso verde. Quando uma campainha tocou, correu ainda mais, trombando com pessoas, jogando coisas no chão e desculpas no ar.

– Sente-se rápido, tá na hora! – e quando se sentou olhou pro relógio, pras pessoas, pro vazio que havia em volta no momento em que conseguiu parar, e viu que estava na hora, a que horas estivesse.

Gustavo Burla

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