Nunca tive

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A curiosidade motivou minha ida. Como eram as apresentações de trabalhos de conclusão de curso num outro país?

A minha segunda rodada daquele dia era sobre a pesquisa e o desenvolvimento de quatro histórias curtas, com diferentes protagonistas, vivendo os tumultuados e turbulentos anos 60. Diante de mim, no entanto, o que marcou foi o aparecimento de quatro reais indivíduos que se encontravam juntos pela primeira vez. De um lado, estavam a futura graduanda em inglês com a exemplar orientadora; do outro, os pais que vieram da Flórida somente por causa de uma simples e silly palestra de 20 minutos.

Não era pra eu escutar os comentários, a troca de gentilezas e a admiração mútua. Não deu pra evitar, eu era um apêndice daquele contato. Não era pra eu ver como o sorriso da mãe brilhou com um orgulho genuíno pelo trabalho artístico e literário da filha. Não deu pra não cativar.

Contando o que achava da escrita e da história, a figura materna se tranformou na maior fã e admiradora. Chorei. Como não? Era palpável. Era lindo. Era distante pra mim.

Depois que sua audiência mais fiel se dispersou, ela me perguntou o que houve, se eu estava bem. Eu simplesmente disse:

“You’re very lucky.”

José Eduardo Brum

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