Qualquercoisite

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Quando tinha apenas três anos, o pediatra diagnosticou-a com hepatite. Ela mesma não se lembra, mas a mãe conta como, com um pedaço de giz, ele desenhou sobre a pele amarelada de seu abdômen a forma disforme do fígado gelatinoso e adoecido.

Aos quatro, no período de inverno, era submetida a sessões diárias de nebulização em função da bronquite crônica. Esta desapareceu na adolescência, mas foi substituída pela rinite, pela sinusite, e pela amidalite que de vez em quando insistia em aparecer.

Quando, aos 15, operou o desvio de septo e aproveitou a mesma anestesia para retirar as amídalas, foi logo em seguida acometida por uma faringite que a deixou relegada à combinação febre/cama por mais de uma semana.

Aos 17, véspera do vestibular, descobriu que era gastrite o nome dor intensa na barriga que aparecia toda vez que ficava muito nervosa. Já aos 22 perdeu a formatura por causa da conjuntivite, que atingiu a fase de mais lágrimas, fotofobia, inchaço, secreção purulenta e contágio bem no dia da colação de grau.

Mas foi só no primeiro emprego, quando veio a paixonite pelo chefe, que soube o que era sofrer.

Táscia Souza

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