Te direi quem és

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Oi, Fulana de Tal, tudo bem?

Era assim que começava as conversas na rua, sempre que encontrava alguém. Os pais o haviam educado para ser gentil e desse modo ele tratava as pessoas. Cumprimentava os conhecidos da infância, os vizinhos, os parentes, os professores com nome e sobrenome. Mesmo que apenas de passagem, sabia tudo.

Oi, Fulano, tudo bem?

Quando começou a trabalhar, lembrar os sobrenomes começou a dar trabalho, pois conhecia novos grupos de pessoas a cada semestre. No começo ainda tentou, tinha uma produção mais lenta, mas com o tempo, e visitas a clientes, acreditou que apenas o nome era suficiente.

Oi, tudo bem?

Saber de onde vinha a pessoa era informação suficiente para dar continuidade à conversa. Visitava bairros, cidades e até outros estados, sempre com mais conhecidos na lista. Desde que não errasse de onde conhecia a pessoa, nome era algo que poderia surgir no meio da conversa.

Foi tudo o que se obrigou a dizer quando passava por alguém na rua, sem parar para conversar, durante os últimos anos de trabalho. Quando aposentou não saiu mais de casa.

Gustavo Burla

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