Pré-estreia

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Sabe aquele pesadelo de garota de sessão da tarde ou seriado adolescente, o de estar nua no palco na frente da plateia? Ela nunca teve. Nem como fetiche. Mas já sonhou estar bêbada, o que, em certa medida, guarda alguma equivalência. O que é, pois, cada gole de vinho senão um strip-tease lento, peça por peça, desnudando pensamentos secretos e lembranças, as rolhas se acumulando aos pés com toda a cortiça dos orgulhos despidos?

O problema de sonhar estar bêbada no palco é que o strip não é só de pudores, mas também de palavras. Um dicionário não seria suficiente para grafar todos os verbetes esquecidos pela atriz completamente muda. Na cabeça, apenas o zumbido incômodo de rádio AM mal sintonizada. No rosto, o meio-choro e a canastrice de mocinha de novela ou heroína de filme B. No ouvido, o som irritante do celular – e de todos os canais de comunicação pós-moderna embutidos nele – avisando que é hora de acordar.

Acordar? Fodeu.

Táscia Souza

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