Sonho de ano novo

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Fim de ano era a época em que mais sonhava. Literalmente. Engana-se, porém, quem pensa que eram sonhos confeitados de desejos e planos. Eram, antes sim, repasses mentais noturnos dos estresses do trabalho acumulado, das férias não tiradas, das brigas de família que invariavelmente aconteciam. Fechava as pálpebras na cama, já de madrugada, e o sono vinha entrecortado de imagens e pensamentos que nada mais eram que continuações, ao limite do inconsciente, das imagens e pensamentos cuja fatura a consciência continuava a lhe cobrar durante o dia. Não pregava os olhos direito uma noite inteira sequer.

É preciso explicar isso para entender o grau de sua irritação quando um desavisado, depois de esgotar os tópicos “será que vai chover?” e “nossa, como este ano passou rápido!”, resolveu perguntar, filosófico:

– E pro ano novo, o que você sonha?

– Não quero sonhar nada! Só quero dormir.

Táscia Souza

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