Parábola da liberdade

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Seu humor era inverso ao tempo. O sol escaldante gerava nela uma depressão sem precedentes. O frio cortante irradiava, sem trela, uma alegria irrefreável. Um dia com vento incessante trazia-lhe paz de espírito. Tardes secas faziam-na chorar todas as dores do mundo. Por outro lado, a chuva mantinha seu ser ríspido e cortante.

À mercê do tempo, imigrou para um país gelado, com neve. Numa colônia de pescadores, quase foi deportada (e linchada) por ser tão animada e feliz, enquanto o resto do povoado sofria dentro dos iglus. No nordeste brasileiro, tentou suicídio após longos dias de tristeza e desapontamento. Uma vez, escolhera viver em Juiz de Fora. Fora trágico, porque mudar de humor, quatro vezes, no mesmo dia, doía na alma.

Cansada, a solução veio pela sétima arte. Ao abandonar a “Gravidade”, livre, pôde finalmente sentir o que bem entendesse.

José Eduardo Brum

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