Ofídicas

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Descobriram um ninho de cobra na escola e foi o pandemônio. Jararaca-da-mata, cor de ocre, com mais de um metro e cinquenta de comprimento, maior do que cada um das meninas que assistiam à cena. Cortaram-na ao meio e cada parte serpenteou para um lado. Restaram os filhotes, rompendo ovos macios e moles já prontos para dar o bote.

Ovos de cobra não são como ovos de galinha, percebiam elas. E pequenas jararaquinhas nascem plenamente capazes de se virar sozinhas. Falavam e esmagavam. Falavam e esmagavam. Repetidamente. Nem sempre bem-sucedidas. E vinha o medo nas vozezinhas entrecortadas: dizem que filhote, aliás, é mais venenoso que a serpente adulta.

Tinha lógica, pensavam. E se entreolhavam. E quase sorriam. Naquele espaço de primeiros passos, primeiros beijos, primeiras vezes, todos primordialmente especiais, por que não primeiros venenos?

Táscia Souza

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