Irmandade

Padrão

Até então o que a enchia era a perspectiva de, enfim, fazer parte de um grupo. Estava no script: chegaria na frente de todos pela primeira vez, diria seu ensaiado oi-eu-sou-ana-e-eu-sou-hipocondríaca, eles responderiam um oi-ana monocórdico e a partir de então seriam doze passos conjuntos em direção ao arco-íris. Bem, não exatamente, porque deve ser um inferno da porra se livrar de um vício. Mas pelo menos um inferno menos solitário. Nada de unicórnios, é verdade, mas com gente.

O problema é que, diferentemente dos contos de fada, a vida costuma fugir do roteiro. E a primeira fuga, nesse caso, foi dos olhares espantados que se desviavam uns para os outros como se ela estivesse falando grego (talvez porque hipocondria vem do grego, né?) ou não fizesse parte daquela turma. Mas fazia parte, não fazia?

– Aqui não é o N.A.? Nosofóbicos Anônimos?

– Não, somos um clube de leitura.

– Bem… Então… Oi, eu sou Ana. E eu sou uma leitora compulsiva.

Táscia Souza

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