Babel

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Para a profusão de entendidos, ele mal mal falava português. Falava, sim, uma língua bonita, meio declamada, com um ritmo diferente e uma tal poesia que quase parecia música. Mas português é que aquilo não era, juravam. Ele não ligava. Por que ia querer falar o tal do português se não morava em Portugal? Ficassem o inglês com os ingleses, o francês com os franceses e o espanhol com os espanhóis e estava tudo certo. A César o que é de César. Só não viessem, porém, impor todos aqueles palavrões – ‘‘quais as regras de funcionamento da Língua Portuguesa quanto aos aspectos fonológico, morfológico, sintático, semântico e estilístico?’’ – a quem, de palavras grandes, gostava mais de passarinho.

Táscia Souza

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