Ruptura de domingo

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Domingo no parque, para alguns manhã, para outros tarde, porque domingo é assim, cada um tem seu horário. Na grama, o grupo de adolescentes conversava sobre as certezas e bebia cidra. No mesmo gramado, um casal oferecia à família ao lado, com dois filhos, um pouco de sua pizza, demais para apenas dois e recusada gentilmente pelos que já haviam comido.

Perto, outra família se instalava, primeiro, casal com dois filhos e vó, depois mais amigos com mais filhos. Outros pais e filhos e amigos e patinetes deslizavam perto da fonte, por sobre a grama e comidas e sorrisos se espalhavam sob o sol.

Em meio a tudo, um casal dormia alheio aos que iam e vinham, repousando sob o céu de domingo. Ele, um anjo recém-chegado e de barriga cheia, tinha plena consciência do domingo. O outro, rosto escondido sob o braço, também velava a digestão.

Quando dali veio aquele pum estrondoso, houve uma pausa no domingo. Pais quase olharam pro lado, crianças diminuíram o ritmo das corridas, o domingo ralentou por um átimo, mas prosseguiu, afinal, era domingo.

Gustavo Burla

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