Bunda quadrada

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Nasceu com a bunda quadrada. Quadrada literal, não hipérbole da pouca curva. Quadrada mesmo, um prisma, na verdade. Era de um jeito que, só vendo. Um amigo falou tijolo uma vez e foi o mais perto que alguém chegou. Pudessem ter tirado a medida, os ângulos, seria mais fácil explicar, mas ninguém conseguiu.

Como a bunda era quadrada, não rebolava pra não rasgar o vestido e não sentava em sofás pra não furar. Cadeiras só de madeira e com muito cuidado pra evitar o som seco e o olhar do dono achando que quebrou. Não era gorda nem podia ser magra, mas as ancas chamavam atenção. Só usava saia, mais ameno.

Trabalhava sentada na cadeira mais dura do escritório. Não costumava sair com colegas pra não ter que sentar em pufs, em areia de praia ou, fundamental, não dar intimidade pra um tapinha no traseiro. Mesmo assim trocava sorrisos, até porque era competente, por vezes funcionária do mês, que não se levantava nem pro cafezinho.

Depois do trabalho, quando os outros iam pro bar, ela ia pra escola de artes. Duas vezes por semana ia para a escola de artes. Era conhecida como a melhor modelo de lá, pois tinha peitos impressionistas equilibrando-se com o traseiro cubista.

Gustavo Burla

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